Finanças

Mercado exige transparência crescente na gestão financeira


Lei Sarbanes-Oxley e padrão contábil IFRS representaram marcos significativos

Por: Irineu Uehara em 04 de Dezembro de 2014

O mercado tem reforçado a exigência de maior transparência e acurácia na divulgação dos números e dos balanços empresariais. Dispositivos legais como a Lei Sarbanes-Oxley e os padrões contábeis enfeixados em torno do IFRS (International Financial Reporting Standards), só para citar dois exemplos, representaram avanços fundamentais neste terreno. Neste cenário, os gestores financeiros têm procurado adaptar-se a este conjunto de requisitos que apontam para a boa governança corporativa.

Aludindo a fatos marcantes ocorridos anos atrás, Willian Lucio, senior associate partner da Hound Consultoria, frisa que a segurança no trato das informações tornou-se de suma importância após os escândalos que abalaram a confiabilidade dos “reports” e dos números, como no caso Enron, no começo da década passada. Eventos como estes motivaram o surgimento e desenvolvimento dos requerimentos contidos na Lei Sarbanes-Oxley.

Com isso, constata o especialista, grande parte dos profissionais entrevistados pela Hound – focada no recrutamento para os segmentos de finanças e impostos – dá mostras de que está em busca incessante por atualizações quanto aos procedimentos fixados pelas normas internacionais.

“O que se observa, desde o advento dos novos padrões contábeis do início dos anos 2000, é a rápida adaptação das pessoas a fim de suprir a demanda do mercado no que diz respeito à base técnica e expertise para implantação destes princípios”, nota ele.

Concretamente, os reflexos destas transformações podem ser percebidos nos últimos cinco anos, durante o processo de recrutamento efetuado pela Hound. “Atualmente, 40% das posições administradas pela nossa equipe requerem que o IFRS seja mandatório para a aprovação dos executivos nas etapas de entrevistas”, estima Lucio.

Entretanto, adverte ele, é vital que as estratégias das empresas, bem como a governança corporativa, estejam alinhadas no sentido de fortalecer o fluxo correto das informações, assegurando uma maior credibilidade nos números reportados: “Adequar-se às novas mudanças deixou de ser um conhecimento extra por parte dos profissionais do mundo financeiro e passou a ser ponto primordial para garantir a acurácia dos resultados”.

Falando mais genericamente sobre a capacitação técnica no Brasil, Lucio avalia que o mercado conta com executivos extremamente qualificados para assumir posições de liderança. Contudo, ressalva ele, existe uma certa carência na área denominada de “middle management”. Essa lacuna se dá basicamente pela dificuldade desses profissionais em aliar o conhecimento com a habilitação para exercer a função de gestores.

Diante deste quadro, o investimento em treinamentos e na melhora da gestão das equipes torna-se mais importante do que apenas a expertise já bem desenvolvida no nível de senioridade. “Hoje, o profissional que busca o aprimoramento no sentido de atrair, inspirar e reter uma equipe acaba levando uma grande vantagem competitiva face aos outros candidatos”, conclui o senior associate partner.

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