Crédito

Riscos de crédito serão o foco das instituições financeiras em 2015


Inadimplência aumenta no varejo e, sobretudo, entre pequenas e médias empresas

Por: Irineu Uehara em 10 de Novembro de 2014

O principal desafio colocado para os gestores nas instituições financeiras em 2015, no Brasil, será a mitigação dos riscos de crédito, seguidos pelos operacionais e de mercado, de acordo com levantamento efetuado pela SunGard, empresa global de tecnologia, consultoria e serviços para o mercado financeiro.

O estudo foi levado à frente com 120 executivos de bancos – privados e públicos, nacionais e estrangeiros com presença no País – que participaram da quarta edição do Congresso Internacional de Gestão de Riscos, realizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), nos dias 30 de setembro e 1º de outubro de 2014.

As conclusões foram as seguintes: 1- Um terço dos respondentes (40%) apontou o risco de crédito como prioridade-chave – 28% discriminaram apenas este; 2 - Cerca de 30% disseram que os riscos operacionais preocupam. A mesma parcela indicou os riscos de mercado; 3-Riscos de liquidez, auditoria e “compliance” aparecem entre os destaques de 15% a 20% dos pesquisados; 4-Outros pontos importantes foram citados, como risco corporativo, educacional, desenvolvimento do negócio e integração de riscos.

“O maior foco no crédito advém do estado atual e das perspectivas futuras para a economia”, avalia Nayra Savordelli, gerente sênior de consultoria em gestão de riscos da SunGard no Brasil. Na verdade, há uma conjunção de fatores preocupantes que explicam esta tendência.

O quadro geral, detalha a entrevistada, é de retração significativa do nível de atividades, associada ao mercado de trabalho arrefecido, à redução generalizada da confiança de investidores e empresários, à subida da inflação – que consome parte da renda do brasileiro – e ao uso indevido do crédito, com o endividamento das famílias em alta há anos. “Tudo isso já se reflete no incremento dos índices de inadimplência, tanto no varejo como em pequenas e médias empresas – estas últimas em maior proporção”, salienta ela.

E as projeções em relação a estes parâmetros são pouco animadoras, fortalecendo a tendência de elevação nos riscos creditícios. “Ainda que ações associadas ao aumento da taxa de juros como medida de contenção da inflação estejam em pauta, este cenário favorece uma retração econômica, reforçando o ciclo”, pondera Nayra.

É verdade, observa a especialista, que os bancos, em termos de gestão, estão trabalhando na solidificação de seus processos de crédito, na adoção de modelos analíticos continuamente aprimorados, em processos decisórios claros e pautados em práticas de governança amplamente reconhecidas, em análises de rentabilidade “versus” risco cada vez mais apuradas, entre outras ações. No entanto, assinala ela, “as condições adversas do mercado podem afetar as instituições e seus resultados”.

Por fim, a gerente sênior da SunGard arrola algumas providências que ela considera essenciais para mitigar os riscos de inadimplência:

o Elaborar análises mais restritivas para a concessão de crédito e revisão dos limites concedidos;

o Promover o monitoramento contínuo dos créditos já tomados e antecipar renegociações/revisões de contratos em casos de alerta e deterioração do “rating” da contraparte;

o Provisionamento ajustado a este cenário.

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